João Zilhão

joa-1.1200x0

Nascido em 1957, João Zilhão obteve os títulos de Doutor, em 1995 (na Universidade de Lisboa), e de Agregado, em 2004 (na Universidade do Algarve). Actualmente é “Investigador Coordenador” na Universidade de Lisboa e, anteriormente, ensinou nas Universidades de Lisboa, Bordéus I, Paris I (Sorbonne), Colónia, Bristol, Toulouse 2 e Barcelona. 

Em Janeiro de 1996, foi nomeado pelo governo português para coordenar o projecto de criação do Parque Arqueológico do Vale do Côa, incluindo a direcção da investigação científica realizada para estabelecer a cronologia da arte paleolítica do vale e a preparação do dossier de candidatura do sítio à Lista do Património Mundial da UNESCO, que viria a ser aprovada em Dezembro de 1998. Entre Maio de 1997 e Maio de 2002, criou e dirigiu o Instituto Português de Arqueologia (IPA).

Desenvolveu investigação sobre as sociedades do Paleolítico Superior e as origens da agricultura na Europa, mas os seus principais campos de trabalho têm sido as questões das origens da arte e do lugar dos Neandertais na evolução humana. Dirige desde 1988 a escavação arqueológica da rede cársica do Almonda (com ocupação paleolítica contínua desde há cerca de 400 000 anos); em 1998-99 dirigiu a escavação de emergência do abrigo do Lagar Velho e da sua sepultura infantil do Paleolítico Superior inicial, e em 2004-05 os trabalhos arqueológicos na Peştera cu Oase (Roménia) que levaram à descoberta dos mais antigos restos do homem anatomicamente moderno da Europa.

Em 2003, recebeu um Forschungspreis da Fundação Humboldt (Alemanha) em reconhecimento da sua carreira como docente e investigador, e em 2005 foi­‑lhe atribuído o Europa Prize da Prehistoric Society de Londres. Em Portugal, foi distinguido com o prémio ULIsboa/CGD (2023) e com a Medalha de Mérito Cultural do Governo da República (2024). Em 2012, a revista Science publicou um perfil da sua carreira como investigador (https://www.science.org/doi/10.1126/science.337.6095.642).

Portugal na idade do gelo
o que fazemos
Este ensaio é uma excursão, com bases científicas, até à existência dos humanos mais remotos cujos genes nos foram transmitidos: a família da criança do Lapedo, os neandertais da Gruta da Oliveira ou os heidelbergensis da Gruta da Aroeira.
Nesta época, a atual Serra da Estrela estava coberta de gelo e da costa viam-se icebergues à deriva. Os bem menos de dez mil habitantes deste espaço eram caçadores-recolectores que conviviam com leões, hienas, rinocerontes e cavalos numa paisagem de charneca arborizada que recorda as da Escócia no presente.
Do que eles foram, comeram e fizeram, sobreviveram vestígios, cada vez mais decifrados pela arqueologia paleolítica. Venha descobrir como teremos sido por aqui, na Idade do Gelo.
onde encontrar?